Domingo, 5 de Setembro de 2010

Liderar pelo exemplo mas, sobretudo, liderar

Quando pensamos na liderança de pessoas nas empresas e organizações uma expressão frequentemente usada é o lead by example: um líder deve constituir um bom modelo para motivar os seus colaboradores e subordinados e envolvê-los activamente no seu projecto. Para pedir aos colaboradores para serem mais produtivos, ele deve ser produtivo. Para pedir para serem mais inovadores, deve ser inovador. Para pedir contenção e poupança, deve começar essa contenção e poupança no seu próprio gabinete. Esta é uma ideia válida para empresas mas, também, para outros contextos.



Um deles é a política governamental. De forma inteligente, o novo executivo britânico, liderado por David Cameron e Nick Clegg, antes de empreender uma exigente política de contenção e rigor orçamental deixou sinais claros que começaria pelo próprio executivo: todos os ministros perderam viaturas oficiais e motoristas e, em viagens de avião, trocaram a classe executiva por lugares na classe turística.

Fotografia: Mirror Online

Em Portugal, a ideia foi seguida à maneira portuguesa: compraram-se 137 automóveis novos a uma média de 27 mil euros por viatura para o Instituto de Emprego e Formação Profissional e apenas os deputados prescindiram das viagens em classe executiva e, mesmo assim, só em voos inferiores a três horas e meia, como relata a revista Sábado de 8 de Julho. Nos partidos da oposição, os cortes nos salários não foram além dos seus deputados, poupando assessores, chefes de gabinetes e outros tantos. Em todo o espectro político português é notória a diferença face ao exemplo e atitude da classe política britânica. Lideramos pelo exemplo à maneira portuguesa: com meios exemplos para meias lideranças. Em quantas empresas tal seria aceite?

Pedro Monteiro

Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

Pessimismo generalizado ou pessismismo geracional?!

Todos os dias, durante o mês de Agosto, no final de menos um dia de estágio, desloco-me ao estádio universitário. Vou fazer algum exercício físico. Corrida, flexões, elevações, abdominais... Enfim, uma panóplia de exercícios que me deixam em forma para os raros dias de praia que tenho, neste Verão. A verdade, é que o exercício físico vai mais além da forma física, interfere sim com um outro aspecto igualmente, senão mesmo, mais importante que é a forma mental! A boa forma física transmite-nos uma sensação de alívio e amor próprio, um sentimento de que somos fantásticos na nossa pessoa, que temos um corpo maravilhoso. E temos! Todo este discurso não passa de uma contextualização e isto porquê? Num destes dias, tinha eu terminado a minha corrida quando me desloquei ao bebedouro, para quem conhece, mesmo à beira do ringue de futebol do lado das cantinas, enquanto me deliciava a beber aquela água fresca, dei por mim a apreciar e instataneamente a reflectir sobre a interacção pai-filho que estava a acontecer no ringue. A criança, o filho, estava na baliza, novito e pequeno, o adulto, o pai, de estatura abaixo da média, fazia uns remates à baliza. O pai da criança (não fazendo nenhuma alusão à música) fez, pelo menos, contados por mim, cerca de dez remates, da área no futebol de cinco, sem acertar na baliza, ao que a criança, na sua inocência, exclamou com toda a razão - "eu sou mais apanha bolas" - até que o pai lá acertou um chuto na baliza, tendo o miúdo defendido e ficado bastante feliz por isso! Repararam em alguma coisa de estranho? Provavelmente, não!! Eu reparei. Reparei, talvez por estar a apreciar a situação em si mas os leitores também irão reparar. O pequeno, defendeu a bola e ficou muito feliz, o pai ainda intencionou mas mordeu a língua. O que me pareceu, de facto, é que o progenitor deveria, após os seus próprios fracassos, ter felicitado o seu filho pela fantástica defesa. Um gesto simples, muito simples mas que representaria algo de muito valioso e valorativo para aquele menino. Uma palavra de motivação, naquele que é um momento que o pequenito irá sempre recordar, de diversão com o seu pai, teria sido o suficiente para se sentir bem consigo próprio e procurar fazer ainda melhor das vezes seguintes. Pessoalmente, duvido da desmotivação generalizada (se bem que influente) e acredito mais na desmotivação geracional! Vejamos, o Mourinho é capaz de motivar os seus jogadores de um momento para o outro, um líder de vendas, necessita igualmente de manter os seus colaboradores altamento motivados para transmitirem confiança e segurança aos seus cliente. Não funcionará, este processo, da mesma forma na relação pais-filhos? Funciona, funciona porque é um relacionamento entre pessoas, tal como em todos os exemplos que possam ser enunciados e mais ainda, é um relacionamento pai-filho cujos laços criados entre estes dois seres, são mais fortes e importantes na desenvoltura de ambas as partes do que em qualquer outra forma de ligação! Deste modo, é de esperar que o tipo de comportamento e atitude transmitidas pelos pais aos respectivos filhos venha a ser uma marca geracional e daqui depreendemos, quase que espontaneamente que os nossos pais tiveram "treinadores" não tão ao estilo do "Special One", devido à cultura conservadora e repressiva de então e que de certo modo chegou através de muitos, até aos dias de hoje. Permanece assim, aquele que se chama "pessimismo tuga", aos meus olhos, não devido aos tempos que correm, como muitos argumentam em forma de desculpa mas sim, devido aos comportamentos que correram!! Hoje, existe algum desleixo educacional dos progenitores, em grande parte devido aos dias de stress, muito trabalho e pouca casa mas que se deve procurar ultrapassar, prestando a atenção devida e procurando o incentivo e aposta pessoal dos mais novos, a geração futura!

Domingo, 25 de Abril de 2010

Porquê a adopção de um código de valores ou de normas profissionais pelas organizações?

As organizações tal como o próprio nome indica, implicam a coexistência de pessoas e de pessoas e máquinas, de uma forma organizada. A existência de um código de valores ou normas profissionais, permite pois que essa organização, não simplesmente formal, mas sobretudo funcional, exista! Num presente em que equipas de alto rendimento fazem a diferença, é absolutamente necessária a existência de normas que definam e demarquem o respeito pela hierarquia, a cooperação entre individuos no todo, que é a equipa que visa obter resultados psoitivos para a organização, assim como o incremento de atitude e de espirito de trabalho organizacional. Neste ponto de vista, um bom código de valores ou de normas profissionais definirá uma boa organização.

Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Até mais!

Caros amigos,

Escrevo-vos esta mensagem para vos dizer que deixarei de escrever no blogue. Tenho o tempo apertado com outras actividades e descomprometo-me assim de voltar a escrever aqui. Contudo, não participei só eu neste sítio, o meu amigo Filipe deverá continuar.

Deixo-vos uma curiosidade. O mapa dos locais dos visitantes do blogue até hoje:
(foram só 20 posts, mas correram o Atlântico :D )







Obrigado!

Um abraço,

PedroV (vpedrop5@gmail.com)

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Relacionamentos... Os nossos dias!

Caros leitores, peço antes mais, desculpas, pois o tema que irei abordar foge um pouco ao habitual tipo de mensagem aqui publicada! No entanto, o seu objecto é bastante contemporâneo e tem feito parte de toda e qualquer organização social existente, desde a existência de qualquer forma comunitária. A minha proposta é pois, o relacionamento. São vários, dos quais, entre colegas, relacionamentos de amizade, de família, de namoro e até o casamento! Vivemos dias agitados, o trabalho, a faculdade, o percurso casa-trabalho-casa, no qual nos resta pouca disponibilidade para vincular traços afectivos!Deparamo-nos com amizades voláteis, famílias deserdadas, namoros descartáveis, casamentos que se revelam contratos de curto prazo, enfim… A carência de relacionamentos duradouros e verdadeiros.Não sei qual a sua opinião, caro leitor, mas a mim parece-me que cada vez menos nos preocupamos com as raízes de qualquer relação, a confiança e a compreensão! Na verdade, investimos a pouca disponibilidade que nos surge, no dia-a-dia, a tentar conhecer os que nos rodeiam e a descobrir incompatibilidades, se é que me faço entender! Passo a explicar, vivemos em tal desconfiança, que procuramos conhecer as pessoas antes de procurarmos confiar nelas. Duas pessoas, ou mais, podem de facto conhecer virtudes e defeitos, uma da outra, mas na verdade nunca se chegam a conhecer. Conseguem sim, reunir várias informações acerca de ambas! Repare, se ao longo da nossa existência não nos depararmos com determinadas situações, jamais saberemos qual a nossa reacção perante elas, assim como aqueles que nos rodeiam, pelo que nem mesmo nós, nos conhecemos por inteiro!Procurando outra abordagem percebemos que, apesar de mais exigente, se começarmos por confiar e transmitir confiança a outro ser, estabelecer-se-á desde logo uma raiz mais forte e genuína, que permitirá então revelar aspectos da nossa personalidade com mais facilidade, assim como conhecermos um pouco mais quem nós abordarmos! Se tem um animal doméstico, diga-me como o conhece se o dialecto não é o mesmo? Se tem cães e/ou gatos, torna-se fácil perceber, que eles nos obedecem porque confiam em nós e atacam ou afastam-se de estranhos porque não há relação de confiança alguma!Ao confiarmos em alguém, torna-se então mais fácil conhecermos mais particularidades da personalidade de cada um e consequentemente existir uma maior compreensão e aceitação das divergências com que nos deparamos socialmente. Procuro pois, segundo o meu ponto de vista, incentivar um esforço no sentido de tentarmos confiar nos que nos rodeiam e naqueles que acabamos de receber, por forma a construir laços mais resistentes e verdadeiros promovendo assim a aceitação, a compreensão e a abertura intelectual de cada qual!

Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Guerra da Água (Parte I)

A água, um dos principais bens necessários à existência de vida.
É graças a este bem natural e cada vez mais escasso, que as primeiras formas de vida apareceram neste planeta. Descrito pelos que já puderam observá-lo do espaço, assemelha-se a uma grande esfera azul. As grandes manchas azuis observadas do espaço são os conhecidos oceanos e mares que são nem mais nem menos que grandes porções de água. Perante tal quantidade de água, porque se defrontam civilizações e grandes organizações tentam fazer com que não haja sede e mortes pela falta deste bem nos quatros cantos do mundo? A Turquia, é um dos principais países envolvido na guerra da água.
A barragem de Ataturk, é a maior da Turquia e uma das principais causadoras desta guerra. A água transportada através dos canais provenientes desta barragem é utilizada principalmente para a agricultura, para a rega dos campos cultivados que se encontram nas margens destes canais. A produção agricula na Turquia envolve sobretudo o cultivo de cereais e algodão. A energia produzida pelas turbinas desta barragem equivale à energia produzida por duas centrais nucleares. A energia fornecida chega a iluminar mais de metade do território turco. Quanto à água utilizada para o cultivo de algodão são cerca de 10 mil toneladas deste bem para produzir apenas 1 tonelada de algodão. Os gastos na rega deste tipo de culturas não compensam, senão vejamos o caso dos cereais. Um camião de cereais rende apenas em média 100€, o que nos mostra que este tipo de culturas é mais praticada por grandes investidores. Para os mais pobres a agricultura é o principal emprego. Inclusive as crianças têm de trabalhar para que a família se possa sustentar. Como foi referido anteriormente a agricultura na Turquia é para os mais ricos não só pelos gastos que se tem neste tipo de actividade mas também, porque para a prática de tal, são necessárias terras para cultivar e o problema encontra-se aí mesmo. Essas terras são muito caras devido à sua proximidade dos canais. A água para as regas chega em Maio, a irrigação só acaba em meados de Julho. Para utilizar a água nas regas pagam-se cerca de 2€ por cada 100 litros. A mão-de-obra é mais barata pois é trazida das aldeias.Esta água, não chega a todo o lado mas um novo plano de construção está a ser levado a cabo com a construção de aquedutos. Com estes novos planos muitas aldeias ficaram e ficarão submersas, devido às águas da barragem que ali vão passar. Devido a tal, foram dados a cada aldeão 3500€, uma ninharia quando comparada com os lucros que o Estado turco vai conseguir graças a este projecto. No entanto os 3500€ nem para uma nova casa chegam. Muitas destas famílias ficarão sem abrigo, tudo por causa da construção de um novo canal para que a água do Eufrates chegue a todos os cantos da Turquia. O problema da construção destes canais não interfere apenas com o desenvolvimento socio-económico da Turquia mas também com a Síria, pois as águas do Eufrates também passam por este país. A Síria encontra-se em cuidados, pois a água retida pela Turquia, já chega imputável e com excesso de minerais que matam as culturas deste território. A Síria e a Turquia ainda tentam negociar o consumo de água pois, devido ao programa Turco, a Síria encontra-se agora sem água em quase toda a sua superfície. A Síria, mediante o progressivo crescimento e aproximação do mundo ocidental por parte da Turquia vê-se impossibilitada de tomar decisões mais bruscas. Mas será que as causas deste tipo de problemas apenas surgem em países muçulmanos ou do Médio Oriente?

Guerra da Água (Parte II)

Não, e a prova de tal fica um pouco mais a oriente no sudeste asiático. Na Tailândia, grande parte das águas provenientes das barragens servem para «alimentar» os campos de golfe das zonas turísticas. Enquanto os campos de golfe se encharcam com água, nas difíceis terras de cultivo e nas pobres províncias todas as famílias trabalham no campo, desde os mais novos aos mais velhos, mas sem êxito, pois para que as culturas se desenvolvam é necessária água mas essa apenas serve para satisfazer os luxuosos interesses governamentais. As pessoas morrem de fome enquanto nas grandes cidades os industriais gozam da protecção do governo. Desde que se construiu a barragem no rio Mone os pequenos pescadores apenas conseguem pescar peixes de reduzidas dimensões. Das 200 espécies apenas 10 a 12 sobrevivem e rendem aos pequenos pescadores 20€ mensais. Esta barragem foi um autêntico fracasso, pois o seu efeito, supostamente positivo, no desenvolvimento da sociedade naquela zona, foi precisamente contrário. O rei tailandez mostra as suas barragens e planos nas notas tailandesas, é graças a pequenas organizações que lutam pela preservação dos rios que muitos destes planos não avançam. Os povos das terras baixas reúnem-se várias vezes por ano no âmbito de tentarem fazer com que os povos das montanhas migrem para as zonas baixas, pois segundo eles estes povos são os culpados da água não chegar às terras mais baixas. Os povos da montanha destroem pequenas áreas de floresta queimando árvores, utilizam as cinzas para cultivarem as suas pequenas culturas deixando o solo seco e pobre a nível de nutrientes, para que futura vegetação possa crescer, fazendo com que a água das chuvas não penetre no solo. A grande cidade Bangkok devido ao seu grande desenvolvimento tem cada vez menos água potável. A incrível quantidade de esgotos e as fábricas de curtumes mesmo junto às margens do rio são os principais poluidores. As substâncias utilizadas nas fábricas são altamente tóxicas para o ambiente, no entanto escorrem livremente para o rio. A desculpa dada pelos donos destas fábricas em não comprarem aparelhos capazes de filtrarem as impurezas dos materiais despejados é que a compra de um desses filtros envolve custos elevados.
Todos estes problemas criados pela existência ou não de água não se ficam por aqui.
Um outro exemplo igualmente preocupante é a situação vivida no México.
Em Istapalapa, os subúrbios da cidade mais importante (Cidade do México), camiões cisterna servem as casas uma a uma, com água.
As pessoas estão revoltadas e desesperadas pois a água ali existente vai toda para a grande cidade. Nos bairros dos ricos existe água com abundância, têm cerca de 10000l ao seu dispor enquanto os pobres se contentam com 40l. As plantações e pomares nos arredores encontram-se secos. Cerca de um milhão e meio de litros são bombeados para a cidade para abastecer as casas, mais propriamente para lavar os carros e regar os jardins dos ricos. As maiores condutas do mundo partem desta cidade até às águas do Vale do México. As péssimas condições da rede de canalizações que se encontra de tal forma degradada, faz com que haja furos e rebentamentos quase uma vez por dia. A manutenção não é feita e perde-se então 40% da água potável. A desidratação do solo devido à extracção de água já fez com que a cidade se tenha afundado 9m em três anos. A fachada da catedral mais importante já desceu 10m e o seu interior é suportado por andaimes. A Cidade do México é uma máscara do seu país, escondendo a pobreza e os problemas causados pela falta de água que mata centenas de pessoas por ano. Graças a esta triste realidade não é de admirar que no México muitos subúrbios, aldeias, vilas e outros aglomerados habitacionais sejam abastecidos não com ÁGUA mas sim com COCA COLA.Deixo aqui exemplos vivos das consequências dos nossos excessos, numa tentativa de alertar os mais consumidores e despreocupados com o consumo e gasto abusivo dos recursos naturais que temos, sobretudo o bem mais precioso… A Água!