Todos os dias, durante o mês de Agosto, no final de menos um dia de estágio, desloco-me ao estádio universitário. Vou fazer algum exercício físico. Corrida, flexões, elevações, abdominais... Enfim, uma panóplia de exercícios que me deixam em forma para os raros dias de praia que tenho, neste Verão. A verdade, é que o exercício físico vai mais além da forma física, interfere sim com um outro aspecto igualmente, senão mesmo, mais importante que é a forma mental! A boa forma física transmite-nos uma sensação de alívio e amor próprio, um sentimento de que somos fantásticos na nossa pessoa, que temos um corpo maravilhoso. E temos! Todo este discurso não passa de uma contextualização e isto porquê? Num destes dias, tinha eu terminado a minha corrida quando me desloquei ao bebedouro, para quem conhece, mesmo à beira do ringue de futebol do lado das cantinas, enquanto me deliciava a beber aquela água fresca, dei por mim a apreciar e instataneamente a reflectir sobre a interacção pai-filho que estava a acontecer no ringue. A criança, o filho, estava na baliza, novito e pequeno, o adulto, o pai, de estatura abaixo da média, fazia uns remates à baliza. O pai da criança (não fazendo nenhuma alusão à música) fez, pelo menos, contados por mim, cerca de dez remates, da área no futebol de cinco, sem acertar na baliza, ao que a criança, na sua inocência, exclamou com toda a razão - "eu sou mais apanha bolas" - até que o pai lá acertou um chuto na baliza, tendo o miúdo defendido e ficado bastante feliz por isso! Repararam em alguma coisa de estranho? Provavelmente, não!! Eu reparei. Reparei, talvez por estar a apreciar a situação em si mas os leitores também irão reparar. O pequeno, defendeu a bola e ficou muito feliz, o pai ainda intencionou mas mordeu a língua. O que me pareceu, de facto, é que o progenitor deveria, após os seus próprios fracassos, ter felicitado o seu filho pela fantástica defesa. Um gesto simples, muito simples mas que representaria algo de muito valioso e valorativo para aquele menino. Uma palavra de motivação, naquele que é um momento que o pequenito irá sempre recordar, de diversão com o seu pai, teria sido o suficiente para se sentir bem consigo próprio e procurar fazer ainda melhor das vezes seguintes. Pessoalmente, duvido da desmotivação generalizada (se bem que influente) e acredito mais na desmotivação geracional! Vejamos, o Mourinho é capaz de motivar os seus jogadores de um momento para o outro, um líder de vendas, necessita igualmente de manter os seus colaboradores altamento motivados para transmitirem confiança e segurança aos seus cliente. Não funcionará, este processo, da mesma forma na relação pais-filhos? Funciona, funciona porque é um relacionamento entre pessoas, tal como em todos os exemplos que possam ser enunciados e mais ainda, é um relacionamento pai-filho cujos laços criados entre estes dois seres, são mais fortes e importantes na desenvoltura de ambas as partes do que em qualquer outra forma de ligação! Deste modo, é de esperar que o tipo de comportamento e atitude transmitidas pelos pais aos respectivos filhos venha a ser uma marca geracional e daqui depreendemos, quase que espontaneamente que os nossos pais tiveram "treinadores" não tão ao estilo do "Special One", devido à cultura conservadora e repressiva de então e que de certo modo chegou através de muitos, até aos dias de hoje. Permanece assim, aquele que se chama "pessimismo tuga", aos meus olhos, não devido aos tempos que correm, como muitos argumentam em forma de desculpa mas sim, devido aos comportamentos que correram!! Hoje, existe algum desleixo educacional dos progenitores, em grande parte devido aos dias de stress, muito trabalho e pouca casa mas que se deve procurar ultrapassar, prestando a atenção devida e procurando o incentivo e aposta pessoal dos mais novos, a geração futura!