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A ORGÂNICA DA MOBILIDADE

            Relatava Eça de Queirós, em Coimbra de Antero , o entusiamo e novidade que a evolução na mobilidade representava à época, «pelos caminhos de ferro, que tinham aberto a Península, rompiam cada dia, descendo da França e da Alemanha, torrentes de coisas novas, ideias, sistemas, estéticas, formas, sentimentos, interesses humanitários… Cada manhã trazia a sua revelação, como um Sol que fosse novo». Foi uma revolução para a sociedade da época, o caminho de ferro era o expoente da mobilidade, e não só, ia mais além do transporte de meros corpos, transportava tendências, transportava cultura, transportava mundividência, transportava a (re)evolução. A ferrovia transformou-se num fluxo orgânico de um organismo maior, superior, a organização social e a sua natural interdependência. Compreendemos o retrocesso que nos foi possível alcançar até aos dias de hoje, em que a descrição apresentada por Eça, não passa agora de um retrato a preto e branco de uma...

(Devaneios serranos) - As luzes já não servem

As luzes já não servem… Por entre os montes e vales, trilhos que serpenteiam encostas, rios que lavram desfiladeiros, lugares esquecidos nas memórias de uns e descobertos pelo espírito aventureiro de outros, facilmente por uma dúzia de metros nos perdemos conscientes por meia-dúzia de quilómetros. E assim, como o falcão do alto dos seus voos avista as suas presas, também aqui do alto de tão privilegiado pouso deixo os meus olhos voarem até ali, acolá e além perdendo-se nos detalhes da serra, reencontrando-se nas imperfeições do horizonte. Incansavelmente palmilham cada centímetro de tão vasta paisagem como que à procura de algo, não se sabe bem o quê, que por lá ficou em algures sem que se saiba exatamente onde. Tamanha vastidão que tentamos embarcar num só olhar, arrasta-nos na sua magnitude tão sufocante que nos leva após tal contemplação a emitir um inconsolável suspiro – pelo menos em mim produz esse efeito – reflexo da nossa impotência perante tão potente grandeza. T...