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A ENXADA VELHA

  No lugar onde vivo, terra de gentes do campo, dois homens, de imortal saúde, dedicam-se à arte agrícola. Desde os seus 10, 11 anos, talvez, idade que os calos e as rugas já deixaram de precisar, cada um em sua bicicleta, emprestadas por seus pais, senhores da pastorícia e da lavoura, como dois irmãos, pedalavam de aldeia em aldeia. Pouco mais ofereciam que a moldura de um corpo pronto a ser talhado, na dureza dos tempos, e as mãos tenras que se esculpiam nos caprichos da natureza. Prometiam outros feitos mas prometidos aos afetos, da experiência, confiou-se-lhes fiel amiga, a enxada, a que juraram eterna obediência. Apenas ela os separava, e apenas ela os unia, à mãe das mães, à filha de uma vida. Nasceram premeditados e de contrato com o destino já assinado, restava-lhes cumprir, religiosamente, cláusula única, igual à de tanta outra gente. Deitados à mesma sorte, sem nunca o prejuízo contar, de olhar benjamim, o mesmo que conservam, além dos anos, revela o tímido sorriso qu...

PORQUE CHILREIAM AS CRIANÇAS

     O rebuliço encorpava o frenesi atípico, dos corredores de uma acácia, cujas flores amarelas se douravam pelo incidente betar que brotava por entre a sedosa pincelada, de um cirro alvo, no céu azul aguarela. Era dia vinte e um de março, esperava-se o toque de uma campainha piedosa, pelas quinze horas de uma sexta-feira, a convocatória extraordinária, redigida à pressa, chegara por pombo-correio, com a mesma urgência que aquele inaudível apelo, inteligível à inocência, chegava de um recreio ansioso, no silêncio.       Uma convulsão ritmava, a conjuntura arboral, ao compasso do baloiçar de pernas, um palpitar passeriforme do coração, o pensamento sem aljube, encarcerado no horizonte distante do olhar, escutando a constituição de uma regra sem regras que transcende o folheado reboco, à contagem de cada segundo, afinado pelos intervalos de uma titilante liberdade que numa certeza, apenas sua, parece que se vai e que depois vem. Na realidade, nunca foi,...

Batel "D'avida"

No silêncio da saudade Como o apito que alenta, Finco-me ao leme da verdade, Perdido nas voltas da tormenta; Sem madre que me guarde, Sigo a bolina da sorte, Sem vela que afague E lágrimas de espuma enxugue; Erro nos segredos do teu manto, Entre os dedos escorregam teus cabelos, Preso pela paixão dum pranto Agarro-me à âncora dos medos; Ergo o mais alto mastro, Esqueço a terra sentida, Já de porão basto Oiço o sino da partida; E de popa tocada Pelo fado chorado, Levo na memória salgada, A tua culpa, perdoado! por Filipe Cortesão 0707EZ20

Download de livros grátis!!

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Um tesourinho que acabei de encontrar: http://livroseafins.com/2007/08/22/os-1000-livros-mais-procurados-no-dominio-publico-para-baixar-gratis/ A lista que se segue são alguns exemplares que pode encontrar na lista do site!! :D

O Principezinho (Antoine de Saint-Exupéry)

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Um livro fabuloso, para a sua idade. "As pessoas crescidas nunca entendem nada sozinhas e uma criança acaba por se cansar de lhes estar sempre a explicar tudo."

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta, Mas só deixava passar Meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, Porque a meia pessoa que entrava Só trazia o perfil de meia verdade, E a sua segunda metade Voltava igualmente com meios perfis E os meios perfis não coincidiam verdade... Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta, Chegaram ao lugar luminoso Onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades Diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela E carecia optar. Cada um optou conforme Seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Rainer Maria Rilke, "Cartas a um jovem poeta"

...Esta vida não pode ser medida no tempo, o tempo não se divide em anos, e dez anos mão são nada. Ser artista é não calcular e não contar, é amadurecer como a árvore, que não comanda a seiva e que frequenta tranquila as tempestades da Primavera sem recear que o Verão não chegue...