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IDEOLOGIA DA IGNORÂNCIA

 (Dirigido à redação do Diário de Coimbra, e posteriormente publicado) Exmo. Sr. Diretor, Escrevo-lhe como desabafo, como manifestação da minha preocupação. Também não espero que a apazigue, antes sim que a compreenda. E então já seremos dois. A união faz a força… era o que se dizia! E será assim, com essa mesma força que vamos livremente fundar uma ideologia, de bem ou de mal, sim, percebeu corretamente, de bem ou de mal. Se de bem é meritória, se de mal aperfeiçoamo-la. Pois o bem e o mal são coisa nossa, de homens e mulheres, e não de ideologia alguma. Se os maus lhe chamarem de boa, convertamo-los, se os bons a chamarem de má, acolhamo-los. E aqui descanso em paz!                Fundámos assim uma ideologia, chegámos primeiro, antes que ela se fundasse em nós. Para tal era necessário que não fossemos nem de bem nem de mal, sempre é melhor sermos alguma coisa que coisa alguma. Pois em quem não é coisa algu...

PORQUE CHILREIAM AS CRIANÇAS

     O rebuliço encorpava o frenesi atípico, dos corredores de uma acácia, cujas flores amarelas se douravam pelo incidente betar que brotava por entre a sedosa pincelada, de um cirro alvo, no céu azul aguarela. Era dia vinte e um de março, esperava-se o toque de uma campainha piedosa, pelas quinze horas de uma sexta-feira, a convocatória extraordinária, redigida à pressa, chegara por pombo-correio, com a mesma urgência que aquele inaudível apelo, inteligível à inocência, chegava de um recreio ansioso, no silêncio.       Uma convulsão ritmava, a conjuntura arboral, ao compasso do baloiçar de pernas, um palpitar passeriforme do coração, o pensamento sem aljube, encarcerado no horizonte distante do olhar, escutando a constituição de uma regra sem regras que transcende o folheado reboco, à contagem de cada segundo, afinado pelos intervalos de uma titilante liberdade que numa certeza, apenas sua, parece que se vai e que depois vem. Na realidade, nunca foi,...