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À Alma Portuguesa

“Nobre Povo, Nação valente e imortal…” [1] Sim, somos nós, cada um de nós e todos nós, portugueses e portuguesas! Muitos dizem estes são os tempos , eu digo este é o tempo. É o tempo deste Povo se elevar na sua nobreza, na sua imortalidade e como sempre fez, como faz, e sem dúvida continuará a fazer enfrentar as duras provas a que o tentam subjugar e mesmo de joelho no chão capaz de olhar em frente, erguer-se e avançar. É em nós que reside o meu orgulho, é em todos nós! Confesso, devo-o declarar, muita é a angústia que vai em mim, muita é a tristeza que tenta ocupar lugar, quando olho à minha volta e vejo os espaços, as ruas e o transportes vazios, o triste semblante daqueles que ainda se veem forçados a enfrentar a fera, o medo do desconhecido que tanto assusta os graúdos como o papão assusta os miúdos. Magoa saber que todos somos de carne e osso e que uns sofrem agora mais do que outros. Nós os portugueses que abrimos os braços a todos aqueles que vêm ao nosso encontr...

25 de Abril

Hoje é o dia 25 de abril. Neste dia permanece latente o ano de 1974. Conservamo-lo congelado na arca frigorífica da história e todos os anos o descongelamos e retiramos um bocadinho mais… É aquele baú lá da casa dos avós que apenas se abre quando toda a família se reúne! É um dia… Um dia que aviva memórias, almejado por muitos, indesejado por outros, vivido por uns, sonhado por outros. Muitos o recordam, outros tentam recordá-lo! Hoje é o dia da Liberdade, ou melhor dizendo, o dia em que nos lembramos e falamos de liberdade. Um dia que foi de apneia para alguns e uma inspiração para outros, um bem investido por alguns e poupado por outros. Todos falamos de liberdade, todos continuamos a desejá-la e todos relembramos esse dia de liberdade, com o receio de que com o seu esquecimento também essa Liberdade seja esquecida. É enaltecida, inflamada como se de um balão de ar quente se tratasse. Essa chama ardente eleva fumos que na sua negridão ocultam questões cujas palavras não pod...

RETRATOS-OS-MONTES

            Essa pincelada cor de alcatrão que serpenteia de forma confusa profundos montes e altos vales segue uma direção, incerta, como uma ruga num terno rosto. Desperto-me a segui-la, num estado hipnótico, a sua silhueta sem fim, as suas demasiadas curvas e o enlevo que causam em mim! Talvez nem sejam as curvas, talvez nem seja o jeito do pintor, talvez… Talvez seja somente a força que a curva, a rude tela que a suporta, o olhar que a ignora.             Segue, continua seguindo, presa a um só destino, cobrando a todos que nela se aventuram esse seu castigo. E forçado à sua vontade num sentido só, sigo, sigo por vários caminhos sem que ela o descubra, sigo no silêncio por lugares distantes tão distantes quanto a memória.             Devaneio percorrendo contornos vários, luzes e sombras, encontro o horizonte ocu...

(Devaneios serranos) - As luzes já não servem

As luzes já não servem… Por entre os montes e vales, trilhos que serpenteiam encostas, rios que lavram desfiladeiros, lugares esquecidos nas memórias de uns e descobertos pelo espírito aventureiro de outros, facilmente por uma dúzia de metros nos perdemos conscientes por meia-dúzia de quilómetros. E assim, como o falcão do alto dos seus voos avista as suas presas, também aqui do alto de tão privilegiado pouso deixo os meus olhos voarem até ali, acolá e além perdendo-se nos detalhes da serra, reencontrando-se nas imperfeições do horizonte. Incansavelmente palmilham cada centímetro de tão vasta paisagem como que à procura de algo, não se sabe bem o quê, que por lá ficou em algures sem que se saiba exatamente onde. Tamanha vastidão que tentamos embarcar num só olhar, arrasta-nos na sua magnitude tão sufocante que nos leva após tal contemplação a emitir um inconsolável suspiro – pelo menos em mim produz esse efeito – reflexo da nossa impotência perante tão potente grandeza. T...