O Estado é o Senhor Polícia, o Juiz, o Advogado, que, como um indivíduo, trabalha em troca de um ordenado, que todos nós pagamos em forma de deveres, mas ao contrário do advogado, não o podemos mandar embora.
Opressor, déspota, aquele que abusa da autoridade para vexar os que dele dependem, é o que encontramos por aí, e também no dicionário, e cada vez mais aqui e ali, como se de um elemento natural se tratasse, como as heras que ofuscam a beleza da natureza que cobrem, também aquele espécime tolda a força da democracia. Pequenas incubadoras onde, num nicho de medo e opressão, fermentam pequenos tiranos de algibeira, daqueles que nem numa carteira da feira da ladra teriam lugar mas que se fazem enraizar nas profundezas da fragilidade humana, nas vazias cavernas da Lei. São uma espécie indiferenciada, de estatura média, habitualmente afáveis e prestáveis, capazes de numa prometida bondade adiada oferecer responsabilidade, compromisso, perspetiva de futuro àqueles mais incautos que hipotecam num cheque em branco a miragem de um amanhã a troco do presente agrilhoado em plumas. O Estado de direito tem-se delegado enquanto subescritor tácito dos ...
As conceções contemporâneas e designadamente as importações extemporâneas, ou até mesmo exóticas para algumas realidades, têm conduzido a alguns mismatch na praxis , a uma divergência crónica entre o expectável e o real. Naturalmente muito se poderia aqui encaixar, despertando-me para o efeito, especial atenção, o erro dos recursos humanos. Se o erro, como irei expor, terá raízes mais profundas, também à superfície adivinhamos desde logo na aceção de Recursos Humanos a inquinação deste mesmo conteúdo. Algo de valor superior, que atenta ao valor humano, o alento das organizações, falo naturalmente do espírito e dote genuíno de cada homem e mulher, pois do que seria das organizações se delas, por elas ou para elas excluíssemos a vocação humana? É precisamente aqui, ou melhor dizendo, nos recursos humanos que encontramos o então calcanhar de Aquiles, quando é retirada a essência desta conceção e se instrumentaliza, isto é, tr...
Faia-da-terra ou Samouco, espécie nativa da Macaronésia, é um grande arbusto, ou pequena árvore se preferirem, encontramos um pouco por aqui e por ali e eu encontrei-me com ela, ou talvez ela me tenha encontrado, ali, pela Mata Nacional do Choupal. Retém em si a beleza comum a qualquer outro elemento, talhado pelas mãos da natureza, em que cada detalhe é levado ao pormenor, onde nem acaso, nem coincidência conspiram, e o destino inspiram. E se para a Mãe natureza somos todos seus filhos, como gémeos desiguais, em suas particularidades caracterizantes que permanecem particularmente iguais, aos olhos da sua Mãe, também as diferentes árvores manifestam entre si especiais semelhanças. São traços de uma vasta personalidade que a natureza dispersa pelos seus rebentos e a tornam tão diversa e tão igual na sua harmonia social, na sua espontânea perfeição. O samouco que ali permanece, em seu típico silêncio, da sua altura, da sua plácida imobilidade, trova mais do que aquilo que ensai...
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