Mensagens

À Alma Portuguesa

“Nobre Povo, Nação valente e imortal…” [1] Sim, somos nós, cada um de nós e todos nós, portugueses e portuguesas! Muitos dizem estes são os tempos , eu digo este é o tempo. É o tempo deste Povo se elevar na sua nobreza, na sua imortalidade e como sempre fez, como faz, e sem dúvida continuará a fazer enfrentar as duras provas a que o tentam subjugar e mesmo de joelho no chão capaz de olhar em frente, erguer-se e avançar. É em nós que reside o meu orgulho, é em todos nós! Confesso, devo-o declarar, muita é a angústia que vai em mim, muita é a tristeza que tenta ocupar lugar, quando olho à minha volta e vejo os espaços, as ruas e o transportes vazios, o triste semblante daqueles que ainda se veem forçados a enfrentar a fera, o medo do desconhecido que tanto assusta os graúdos como o papão assusta os miúdos. Magoa saber que todos somos de carne e osso e que uns sofrem agora mais do que outros. Nós os portugueses que abrimos os braços a todos aqueles que vêm ao nosso encontr...

Ternura da Serra

Deslizo o meu olhar, Por essas curvas, Como sinto o tocar, De tão ternas rugas; De contornos diversos, Mais do que um esboço, Um traço de afetos, Desenha-se um rosto; Contempla seriamente, Recantos com história, Contemplados serenamente, Pelos tempos da memória; Cores, cheiros e formas, Escaras, sinais e feitios, Unem como nas somas, Os divinos e os gentios; Sente-se a comunhão, Em enleada simbiose, Dois estranhos dão a mão, Numa cúmplice hipnose; E se a tela deixa o pincel, E se as cores secam na paleta, E se o lápis abandona o papel, E se a borracha faz que esqueça; Aqueles dois amantes, Descobrem-se no olhar, Os corações distantes, Anseiam por se encontrar; E de novo se tocam, Sentem-se as velhas curvas, E enquanto se recordam, Sentem-se as novas rugas; Cai o manto branco, Escondem-se as verduras, Como no altar o santo, Acolhe as almas suas; Cantam um único fado, Nessa reunião fraterna, Ca...

Paradoxo do Recrutamento

Recém-licenciado com experiência; licenciado sem experiência, com espírito de equipa e foco no cliente; licenciado com experiência com excelentes condições de carreira, disponível para estágio… Escutam-se risos no final. Não é… Mas podia ser… Não é não, não é um programa de stand up comedy . São alguns apanhados, não daqueles da televisão mas daqueles que encontramos nos anúncios de emprego. Maioritariamente são de empresas de recrutamento, prometem às nossas jovens promessas, saídas da faculdade, uma rampa de lançamento para uma carreira de sucesso na sua área mas… É uma longa rampa, literalmente, daquelas que ao invés de projetarem essas almas esperançosas e inocentes, as atira para uma cansativa subida a fim de perderem toda a força cinética com que a encetam, e quando despertam (por vezes tarde de mais) já não veem o início, nem alcançam o fim. Um augúrio que se vai vivendo por aí, pelos becos do recrutamento, designadamente em algumas empresas que recrutam jovens licenciad...

25 de Abril

Hoje é o dia 25 de abril. Neste dia permanece latente o ano de 1974. Conservamo-lo congelado na arca frigorífica da história e todos os anos o descongelamos e retiramos um bocadinho mais… É aquele baú lá da casa dos avós que apenas se abre quando toda a família se reúne! É um dia… Um dia que aviva memórias, almejado por muitos, indesejado por outros, vivido por uns, sonhado por outros. Muitos o recordam, outros tentam recordá-lo! Hoje é o dia da Liberdade, ou melhor dizendo, o dia em que nos lembramos e falamos de liberdade. Um dia que foi de apneia para alguns e uma inspiração para outros, um bem investido por alguns e poupado por outros. Todos falamos de liberdade, todos continuamos a desejá-la e todos relembramos esse dia de liberdade, com o receio de que com o seu esquecimento também essa Liberdade seja esquecida. É enaltecida, inflamada como se de um balão de ar quente se tratasse. Essa chama ardente eleva fumos que na sua negridão ocultam questões cujas palavras não pod...

RETRATOS-OS-MONTES

            Essa pincelada cor de alcatrão que serpenteia de forma confusa profundos montes e altos vales segue uma direção, incerta, como uma ruga num terno rosto. Desperto-me a segui-la, num estado hipnótico, a sua silhueta sem fim, as suas demasiadas curvas e o enlevo que causam em mim! Talvez nem sejam as curvas, talvez nem seja o jeito do pintor, talvez… Talvez seja somente a força que a curva, a rude tela que a suporta, o olhar que a ignora.             Segue, continua seguindo, presa a um só destino, cobrando a todos que nela se aventuram esse seu castigo. E forçado à sua vontade num sentido só, sigo, sigo por vários caminhos sem que ela o descubra, sigo no silêncio por lugares distantes tão distantes quanto a memória.             Devaneio percorrendo contornos vários, luzes e sombras, encontro o horizonte ocu...