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HÁ NÓDOAS E NÓDOAS

  Fim do dia. Já escurecia, um fim de dia que não podia ficar por ali. Havia uma qualquer inquietude naquele sentimento de vazio, faltava uma cartada que o tornasse pleno, o deixasse preenchido. Ir para casa estava fora de questão, seria um capítulo por terminar e uma injustificável insatisfação por tão abrupto término. Decidi jantar por fora, deslocar-me a um restaurante, um que fosse singelo, não queria exacerbar aquele momento culpando assim o estado anímico daquele dia, nem diminuí-lo à apatia que o dominara. Numa pequena travessa de uma rua esquecida no tempo, assemelhando-se mais a um beco sem saída, guardava em si um escape tão esperançoso como uma luz ao fundo do túnel e aí entrei, atrás dum nostálgico aroma, na casa de pasto Palus Mandatum . No interior dominava o crepúsculo, um silêncio comprometedor, arrebatado talvez pela viagem olfativa. As cores pastéis e o lusco-fusco pincelados, escondiam naquele vislumbre pitoresco alguns rostos e silhuetas que também ali se enco...

Batel "D'avida"

No silêncio da saudade Como o apito que alenta, Finco-me ao leme da verdade, Perdido nas voltas da tormenta; Sem madre que me guarde, Sigo a bolina da sorte, Sem vela que afague E lágrimas de espuma enxugue; Erro nos segredos do teu manto, Entre os dedos escorregam teus cabelos, Preso pela paixão dum pranto Agarro-me à âncora dos medos; Ergo o mais alto mastro, Esqueço a terra sentida, Já de porão basto Oiço o sino da partida; E de popa tocada Pelo fado chorado, Levo na memória salgada, A tua culpa, perdoado! por Filipe Cortesão 0707EZ20

PORTUGAL DOS ISMOS

         Atualmente assistir e compreender determinados ciclos da sociedade, com o fácil acesso à informação, torna-se mais rápido e encontra-se ao alcance de todos nós. Compreender os fenómenos na origem desses períodos comportamentais já poderá ser tarefa de menor alcance e apenas possível a alguns de nós. Desafia-se assim uma reflexão, a cada um dos leitores, no intuito de intimamente procurarem identificar alguns dos caprichos cíclicos que interferem com o seu dia-a-dia, direta ou indiretamente.             Podemos chamar a esses cismas e frenesis, tão somente de “ismo” ou “ismos” e transportá-lo no bolso das calças, como que uma pequena pedra, alcunha alentejana, nome do meio, praxe, clipe, ou mero acessório de fácil recurso, um isqueiro, para aplicar sem dó nem piedade aos vícios adjectivantes que deixam cada um de nós perplexo com as teimosias sociais que nos ferem o espírito do...

OS VENTOS DA DEMOCRACIA

OS VENTOS DA DEMOCRACIA (um sopro pela Sociedade, pela Economia e pela Europa) Vivemos tempos incríveis e incrivelmente únicos. Os historiadores o dirão, possivelmente e desde a extinção dos dinossauros estamos hoje, em tempos da humanidade, perante a primeira crise verdadeiramente mundial. Muitos foram já os episódios de dificuldade para o ser humano, de diversa ordem, desde catástrofes naturais, pandemias, conflitos armados, entre outros. A peste negra que parece alimentar-se na nossa memória intemporal, tal foi o cunho que deixou na sociedade a partir no século XIV, pode vir a ter os dias contados no protagonismo histórico que até agora granjeou. O mesmo não direi dos dois grandes conflitos armados, as duas guerras mundiais, por toda a sua destruição, brutalidade, atualidade e universalidade, todavia qualquer um destes eventos nunca tomou uma dimensão verdadeiramente planetária como a pandemia que hoje nos assombra, onde apesar do flagelo variar de intensidade nalguns...

À Alma Portuguesa

“Nobre Povo, Nação valente e imortal…” [1] Sim, somos nós, cada um de nós e todos nós, portugueses e portuguesas! Muitos dizem estes são os tempos , eu digo este é o tempo. É o tempo deste Povo se elevar na sua nobreza, na sua imortalidade e como sempre fez, como faz, e sem dúvida continuará a fazer enfrentar as duras provas a que o tentam subjugar e mesmo de joelho no chão capaz de olhar em frente, erguer-se e avançar. É em nós que reside o meu orgulho, é em todos nós! Confesso, devo-o declarar, muita é a angústia que vai em mim, muita é a tristeza que tenta ocupar lugar, quando olho à minha volta e vejo os espaços, as ruas e o transportes vazios, o triste semblante daqueles que ainda se veem forçados a enfrentar a fera, o medo do desconhecido que tanto assusta os graúdos como o papão assusta os miúdos. Magoa saber que todos somos de carne e osso e que uns sofrem agora mais do que outros. Nós os portugueses que abrimos os braços a todos aqueles que vêm ao nosso encontr...